Castlevania: Uma surpresa bem agradável

Em 2017, aficionados por games e animações foram pegos de surpresa com o anúncio de uma série animada de Castlevania sendo produzida pelo serviço de streaming mais amado por todos, a Netflix, sendo uma das (senão a primeira) adaptações de grande destaque do sucesso da Konami. E foi uma surpresa bem agradável, diga-se de passagem.

Sob a produção de Warren Ellis, conhecido por seu trabalho como roteirista em RED 2, Liga da Justiça: Sem Limites e no arco Extremis do Homem de Ferro, a primeira temporada de Castlevania foi lançada no dia 07/07/2017 em 4 episódios com duração de 22 minutos. Sim, bem curtinha e isso é um problema, mas sabendo como foi o desempenho das adaptações de games lançadas ultimamente é até compreensível ter uma temporada diminuta.

A animação tem traços de anime, apesar de não ser produção oriental, mas longe de ser um problema também, uma vez que está muito bem feita, com os traços dos personagens inclusive lembrando as artes de capa dos jogos clássicos (Por pelo menos duas vezes o Drácula aparece na mesma pose da capa do clássico Symphony of the Night). A ambientação também está impecável! O espectador irá se sentir na Wallachia do século XV, mesmo que nunca tenha jogado Castlevania III: Dracula’s Curse, jogo que serviu de inspiração para a série (falarei mais à frente sobre). E para quem é fã de gore tem mais um motivo para assistir. Ainda que a produção não tenha um nível de gore que dê ânsia de vômitos, não é raro ver nas cenas com mortes, tripas voando, cabeças rolando e mais de 8000 litros de sangue jorrando pelos inúmeros corpos espalhados pelo cenário.

Quanto a história, é baseada no terceiro jogo da série, Dracula’s Curse, acompanhando a jornada de Trevor Belmont, o último membro vivo da tradicional família caçadora de seres sobrenaturais, mas que caiu em desgraça após ser excomungada pela igreja. É isso que você que não jogou Dracula’s Curse pode ler sem receber spoilers, pois como dito são apenas 4 episódios e quaisquer revelações sobre o enredo pode ser um eventual “vazamento de informações”. E falando nisso, o desenvolvimento dos personagens de início deixa a desejar, porém considerando a quantidade de episódios e tempos é compreensível, mas ao mesmo tempo revoltante se não fosse confirmada a renovação da série para uma segunda temporada no dia que foi lançada, então nos resta esperar a produção e o lançamento da segunda para continuarmos acompanhando as aventuras de Trevor Belmont (ou jogar Castlevania III, o que é bem recomendado).

O protagonista é dublado com maestria por Richard Armitage (o Thorin da trilogia O Hobbit), sendo o que mais se destacou na temporada (mais uma vez, 4 episódios e praticamente apenas Trevor recebeu atenção), porém não tira o mérito do restante do elenco que soube interpretar com maestria seus respectivos personagens. Destaco aqui o Drácula vivido por Graham McTavish (o Dwalin da trilogia O Hobbit), que mesmo aparecendo bem pouco impactou bastante e torço para que o vampirão mestre tenha mais destaque na segunda temporada.

 

Concluindo, Castlevania é uma boa pedida não apenas para os fãs da saga milenar. Fãs de animações (e por que não animes?) e, principalmente, fãs de vampiros vão encontrar aqui uma experiência curta mas satisfatória. Agora é fazer uma vigília até a segunda temporada. Por último, fica uma crítica para a Konami. Enquanto ela só investe em jogos de qualidade duvidosa de franquias ótimas sem seu criador, além de máquinas de pachinko, a Netflix tá mostrando que Castlevania tem muita lenha pra queimar e até o momento está aproveitando melhor a saga do que a casa original…

Game Designer aprendiz, baixista mediano e mago implacável. Amante de RPGs mas tem Metal Gear como série favorita. Busca dominar magias de controlar o tempo e zerar todos os jogos que comprou na Steam e na PSN.