Review: Until Dawn – Um ode aos clássicos slasher

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Longos dias e belas noites aventureiros! O Halloween já foi mas o terror no mundo nerd acontece o ano todo! E recentemente eu terminei (ainda que meu PS4 tenha sacaneado algumas vezes) este maravilhoso jogo que já vem sendo prometido há algum tempo e neste ano de 2015 finalmente foi lançado. E nas próximas linhas dissertarei sobre como foi a minha experiência com esse game.

Until Dawn começou como um projeto da desenvolvedora britânica Supermassive Games para o PS3 com o uso do (apagado) controle PSMove. Felizmente o estúdio abandonou esse caminho e transferiu o projeto para o PS4 com o uso do DualShock 4 e com dois esquemas de controle: clássico e por movimento. Eu particularmente não testei como é jogar com o segundo esquema de controle, mas o clássico se encaixa muito bem na proposta de gameplay. A história tem uma premissa bem simples: um grupo de oito amigos adolescentes se reúnem no chalé da família Washignton no alto de uma montanha gelada e isolada um ano após o desaparecimento das irmãs Beth e Hannah Washington, na esperança de seguirem em frente e esquecerem a tragédia. Tinha tudo pra dar certo né? Bom, os filmes de terror “slasher” sempre mostraram que nunca dá, mas quem disse que adolescentes de filme de terror ligam pra isso? A partir daí tem quase tudo o que você vê nesses filmes: casais com libido à flor da pele, gente brincando com tábua ouija e não acreditando no que acontece, piadinhas de duplo sentido e é claro, um maníaco sedento de sangue que persegue os protagonistas enquanto faz jogos mentais e obviamente, com muitos jumpscares. Eu falaria mais sobre esse maravilhoso enredo porém seria spoilar ao extremo a história, que para mim tem um dos melhores plot twists dos games juntamente com Metal Gear Solid V: The Phantom Pain.

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A Supermassive Games teve um trabalho estupendo na construção dos personagens, começando que todos eles são interpretados por atores reais, tanto na modelagem quanto na voz. Dou destaque para Hayden Panettiere, já conhecida por emprestar sua voz para Kairi de Kingdom Hearts e seu trabalho em Heroes como Claire Bennet, interpretando Sam; Brett Dalton, o Grant Ward de Agents of S.H.I.E.L.D, como Mike e Peter Stormare, que fez Lúcifer naquele quase-esquecível filme do Constantine e John Abruzzi em Prison Break como o enigmático Dr. Hill. Todos os personagens são bem desenvolvidos, indo do clima de luto e descontração no início ao desespero no desenrolar da história. Como o jogador controla todos os oito amigos em situações diversas, é bem fácil se apegar (ou odiar). Eu por exemplo me apeguei bastante a Sam por ser da turma do “deixa disso” e manter uma relação boa com todos e também Mike, que no início era um babaca mas se mostra um verdadeiro sobrevivente ao decorrer da aventura. O mesmo não posso falar de Emily e Matt; Emily é a típica esnobe da escola e adora se eximir de culpa de qualquer besteira que faz e Matt é um dos responsáveis do desaparecimento das gêmeas junto de Emily, Jessica e Mike, fato mais do que o suficiente pra eu odiá-lo (bullying é feio nobres aventureiros, nunca se esqueçam disso). Tal apego ou desapego vai contar muito na hora das decisões, e se você não estiver buscando troféus certamente não vai se importar em deixar um personagem que odeia morrer.

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Por se tratar de um adventure, Until Dawn é bastante focado não apenas no enredo mas também em itens coletáveis. A resolução de puzzles dos adventures clássicos é substituída aqui por investigação, tendo três linhas a serem seguidas e coletando o máximo de pistas possíveis em cada uma delas ajudam em uma melhor compreensão do passado. Os protagonistas também podem encontrar totens indígenas espalhados pelo cenário e interagindo com eles revela uma profecia que pode ser boa ou ruim, mas a própria ser realizada só depende das ações do jogador. E falando em ações não posso deixar de falar do ponto alto desse game que é o sistema de Efeito Borboleta. Eu sei, vários outros jogos antes de Until Dawn já apresentavam algo do tipo, sendo The Walking Dead da Telltale o melhor exemplo recente, porém a Supermassive implementou uma vasta grade de causas e consequências que em muitos casos o tufão causado pelo bater de asas da borboleta só vai ser sentido vários capítulos à frente. Por exemplo, logo no início do jogo, se Sam escolher bisbilhotar o celular de Chris irá abalar a amizade entre os dois e lá na frente isso pode causar uma situação ainda mais tensa que será difícil de ser resolvida. No menu de pausa é são listadas todas as situações de Efeito Borboleta com as ações e as consequências que foram geradas.

Os controles de exploração são meio confusos, pois os personagens movem-se apenas em uma velocidade, andando na fila do banco. Pode o mundo estar desabando ali fora que se o jogo estiver em modo de exploração apenas andarão. A alavanca direta move a cabeça e a lanterna, e muitas vezes a luz da lanterna não foca onde você quer que ela esteja. Foi um suplício conseguir iluminar a abóbora que eu achei no último capítulo durante o evento de Halloween promovido pela Sony e pela Supermassive Games. As perseguições são feitas através de quick time events, mas muitas vezes errar um botão não vai causar nenhuma ação frustrante, o personagem simplesmente se levanta e volta a correr/escalar normalmente. O que realmente transmite a tensão dos personagens são em momentos que eles devem se esconder e você não pode mexer o controle nem um pouco, senão é morte na certa. Em um determinado momento do jogo vários desses momentos apareceram e causaram a morte de uma personagem, ferrando completamente com meu gameplay de manter todos vivos. A solução foi sair do jogo enquanto a cutscene rolava para não salvar a morte e apoiar o controle no chão e não deixar ninguém se aproximar, principalmente a Lady, minha Yorkshire hiperativa.

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Julgamento do Arquimago

Until Dawn é uma verdadeira homenagem aos filmes de terror slasher, feito sob medida pra quem curte o estilo e atraindo os olhares de quem não curte (eu incluso). É uma excelente pedida para os donos de PS4 e um jogo que vale a pena a compra do console se você é muito fã desse tipo de jogo, em minha humilde opinião. Não posso deixar de destacar também a excelente trilha sonora ausente nas partes calmas e agitada nas perseguições. O tema de abertura é uma versão de O Death, uma canção folk americana, na voz de Amy Van Roekel. A todos que se aventurarem nessa obra-prima, não se esqueçam de jogar depois da meia-noite com todas as luzes apagadas e preferencialmente com headset. Quem será que sobreviverá até o amanhecer?

 

Ficha Técnica:

Desenvolvedora: Supermassive Games

Publisher: Sony Computer Entertainment

Plataforma: PS4

Data de lançamento: 25/08/2015

Game Designer aprendiz, baixista mediano e mago implacável. Amante de RPGs mas tem Metal Gear como série favorita. Busca dominar magias de controlar o tempo e zerar todos os jogos que comprou na Steam e na PSN.