Doutor Estranho: apresentando a magia ao MCU

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Quando anunciaram o filme do Doutor Estranho, fiquei apreensivo com algumas coisas: primeiramente, com a história em si. Eu não conhecia absolutamente nada a respeito do personagem – de fato, não lembro de sequer já ter ouvido falar dele antes da promoção do filme. Alguns meses depois, vi uma participação dele numa breve passagem dos Illuminati que precedeu a Guerra Civil.

A única certeza que eu tinha era uma excelente atuação do Benedict Cumberbatch; como sempre costumo brincar, se fizerem um filme dele olhando para uma parede branca durante uma hora e meia, o filme ainda será bom.

O segundo fator foi a introdução da magia, propriamente dita, no Universo Cinematográfico Marvel. Afinal, a Marvel teve a bola nos pés, mas decidiu chutar para longe (muito longe) do gol com o Mandarim em Homem de Ferro 3. Talvez nem fosse o momento de chutar certo, afinal, como introduzir satisfatoriamente a magia no universo do Tony Stark, um herói criado pela tecnologia?

Dois anos antes desta piada de mau gosto interpretada por Guy Pearce, tivemos Christopher Hemsworth interpretando o Deus Nórdico Thor com uma explicação simplória sobre a magia e ciência serem a mesma coisa em Asgard.

Assim, optei por evitar quaisquer boatos, notícias e trailers sobre o filme, deixando que ele falasse por si só no momento da pré-estreia. E o grande dia chegou.

Como já era esperado, foi um filme de origem onde vimos a estrada (e a ribanceira [I’m on the highway to hell…]) que levou Stephen Strange, um neurocirurgião bastante egocêntrico, a ser incapaz de usar as mãos como antes. Após sete procedimentos cirúrgicos sem resultados e descobrir de um paciente paraplégico que voltou a andar, o doutor viaja até o Nepal para descobrir como curar seu corpo por completo.

Neste país, Strange se encontra com a Anciã (brilhantemente interpretada pela Tilda Swinton). Com isso, somos apresentados ao conceito da verdadeira magia: a manipulação da energia de outras dimensões através de estudo e prática. Com isso, também somos apresentados ao conceito de Multiverso – algo que foi arranhado bem de leve em Homem Formiga, com um pouco de licença poética.

Infelizmente esta pareceu ser a única novidade de fato. Apesar de todas as possibilidades que o conceito de magia evoca, ficamos limitada à distorção do espaço-tempo e criar armas de energia, no melhor estilo dos battlemages dos RPGs.

O resto parece seguir a Escola Marvel de fazer filmes, o que não é ruim, já que está se tornando… bem, como mencionei, uma escola. Em Doutor Estranho temos várias piadocas (algumas exageradas e fora de hora, em minha opinião), uma explosão de cores que cabem inacreditavelmente bem com a proposta do filme e uma história divertida, mas com um vilão de bom para muito bom (interpretado por Mads Mikkelsen, o Hannibal Lecter da TV).

Já que mencionei o vilão, façamos justiça (sem trocadilho com o alinhamento): a Marvel melhorou consideravelmente o nível dos vilões. Antagonistas como Ultron e Barão Zemo não fizeram jus a expectativa dos filmes que fizeram parte.

Pensando sobre as consequências da magia no MCU, podemos explorar algumas possibilidades muito interessantes. A primeira delas é a aceitação da magia no mundo. “Mas Bruno, já vimos o Thor falar de magia, um verdadeiro Mandarim preso e as Jóias do Infinito, precisa?”. Sim, precisa. Tudo o que vimos até agora pode ser entendido como tecnologia e energia cósmica colocada em artefatos, sendo o Loki a única exceção à regra.

Outra questão é a existência de magos no mundo; o que ainda não foi revelado para o público em geral, mas certamente o Nick Fury já está de tapa-olho nisso. Ainda que os magos estejam mais preocupadas com criaturas extradimensionais e realidades alternativas, devemos lembrar que atuar heroicamente sem autorização do governo é considerado crime depois da assinatura do Tratado de Sokovia em Capitão América: Guerra Civil. 

Por último, mas não menos importante, acredito que não há problema em ficarmos animados em como a magia será um diferencial nas Guerras Infinitas; já até consigo ver o Doutor Estranho dobrando prédios em cima de geral fora da Dimensão Espelhada.

Fazendo as considerações finais, Doutor Estranho é um excelente filme de modo que facilmente entraria no Top 5 das obras do MCU, não apenas pela trama em si, mas pelo visual estético e efeitos especiais (que deixam Inception no chinelo, respeitando a distância de tecnologia entre as épocas das produções); inclusive, há quem diga que pode creditar a Marvel o primeiro Oscar. Avaliação: 4/5.

Estudante de psicologia, marketing, comunicação visual, análise do comportamento, magia arcana e healer nas horas vagas. Apaixonado por Senhor dos Anéis, fantasia medieval, RPG, cerveja, rock, séries e filmes de heróis.