Ergo Proxy

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Por Felippe Espinelli

Shuko Murase, um famoso diretor e designer de personagens de animes (Samurai Champloo, Gundam Wing), Dai Sato, roteirista conhecido por obras como Ghost In The Shell e Cowboy Bebop, e o falecido estúdio de animação Manglobe (declarou falência em setembro de 2015) resolveram se juntar e criar um anime Sci-Fi de suspense. O resultado foi lançado em 2006 na forma de um anime com temática cyberpunk com bastante mistério, ação e aventura chamado de Ergo Proxy.

A história se inicia na cidade com domo de Romdo onde os cidadãos são encorajados a consumir cada vez mais. O paraíso construído pelos humanos no meio de um mundo destruído. Dentro da cidade, humanos convivem com androides chamados de AutoReivs, que nada mais são do que servos da sociedade. Entretanto, um vírus chamado Cogito surge no paraíso. Os AutoReivs infectados pelo Cogito são capazes de desenvolver autoconsciência e não precisam mais responder aos humanos. Em Rondo, um AutoReiv que não está disposto a morrer por um humano é um risco e precisa ser eliminado. Nisso, a história começa a seguir os dois protagonistas. Vincent Law, um imigrante que está tentando se tornar um cidadão de Romdo e Re-l Mayer (pode ser pronunciado como real), neta do regente da cidade e inspetora no departamento de investigação da cidade. Ambos estão trabalhando para resolver o mistério sobre o aparecimento do vírus Cogito e acabam encontrando um mistério ainda maior, as criaturas humanoides chamadas de Proxy.

Ergo Proxy é um anime seinen com uma temática de distopia bastante semelhante a Psycho Pass, mas lançado 6 anos antes. O título veio da metafísica do filósofo e matemático René Descartes e sua famosa frase, “cogito ergo sum”, mais conhecida pelos brasileiros como “penso, logo existo”. Então Ergo Proxy é um anime filosófico? Sim, bastante. As críticas sobre Ergo Proxy ficam divididas exatamente nesse tópico. Uns dizem ser uma das melhores obras filosóficas já feitas no mundo da animação japonesa junto com Serial Experimental Lain e outros. Outros dizem que o autor da obra tentou deixar o enredo tão complexo que acabou criando um monstro que só serve para pseudointelectuais falarem: “Como você não entendeu? Esse anime é magnífico”. Algo semelhante ocorreu na época de lançamento ao filme Matrix, mas os efeitos especiais do filme tiraram o foco do lado filosófico. Aliás, Ergo Proxy possui outras similaridades com o Matrix. Ambas as obras tratam da busca da verdade e sobrevivência da raça humana, dentre outras coisas que não podem ser mencionadas, pois seriam spoilers. Uma outra curiosidade: os quatro entourage (AutoReivs com funções de assistente pessoal) que servem ao regente possuem nomes de filósofos famosos: Derrida, Lacan, Husserl e Berkeley.

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Toda a parte técnica do anime é excelente. A qualidade gráfica é muito boa, misturando 2D com 3D de uma maneira similar a realizada em Psycho Pass. A trilha sonora é fantástica com destaque para a ending: Paranoid Android do Radiohead. Os personagens são muito bem construídos, com destaque para os dois protagonistas, Vincent e Re-l e para a Pino, sendo ela uma grata surpresa onde o autor consegue balancear o mundo triste com sua inocência. Todo o anime possui 23 episódios e esse é um bom número para o desenvolvimento de todo o enredo e construção dos personagens.

Veredito final: O anime é bom? Sim. Uma obra prima? Para mim, sim, mas dá para entender o lado dos que não consideram. Ter que rever algum episódio porque não entendeu alguma parte e faltou algum detalhe ou então, terminar o episódio e refletir sobre ele são atos praticamente certos de ocorrer. O conteúdo é complexo, então não é recomendado para aqueles que desejam apenas sentar na frente da TV ou monitor e ver um anime para esquecer da vida.