Psycho Pass

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Por Felippe Espinelli

Em 2012, a Production I.G., estúdio de animação que trouxe para este mundo Ghost in the Shell, The End of Evangelion e Patlabor, lançou um anime de ficção científica digno de ser o sucessor dos animes citados anteriormente: Psycho Pass.

Gen Urubochi escreveu a história que se passa no século 22. Um sistema inteligente chamado Sybil é implementado no Japão para tentar impor a lei contra o crime. Para tal, o sistema utiliza o chamado psycho pass, algo similar a uma carteira de identidade, mas que, ao invés do RG e CPF, ele possui dados do estado mental. A tarefa do sistema é a identificação de criminosos lendo o psycho pass dos habitantes. Sybil consegue quantificar a probabilidade de uma pessoa vir a cometer um crime no futuro por meio do índice de criminalidade. Quando o índice de criminalidade passa de um limiar, o sistema entra em ação. Sybil julga se a pessoa precisa receber um tratamento, ser imobilizada ou executada. O sistema também é capaz de utilizar as notas, desempenho escolar e o psycho pass para definir qual carreira a pessoa é mais apta e quais pessoas não possuem aptidão. Com isso, não existe mais uma democracia, Sybil define tudo.

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A protagonista Tsunemori Akane é uma inspetora novata no departamento de investigação criminal. Os inspetores são indivíduos que possuem um psycho pass estável, praticamente incorruptível. Eles são os únicos capazes de combater o crime sem elevarem seus índices de criminalidade no processo. Os parceiros dos inspetores são os enforcers (traduzido como executores ou justiceiros), indivíduos com alto índice de criminalidade que voltam para a sociedade devido as suas habilidades investigativas. Eles não podem realizar qualquer ação sem o consentimento dos inspetores responsáveis. Tanto os inspetores quanto os executores possuem a dominator, uma arma com conexão direta com o sistema Sybil permitindo que os agentes da justiça sejam rápidos na decisão da ação. Ao mirar em um alvo, o sistema calcula instantaneamente o índice de criminalidade e altera o formato da arma baseado no resultado: modo inativo, paralisador não-letal, eliminador letal, destroy decomposer ou explosive destroy decomposer.

Sobre a história, muitas comparações podem ser feitas com o anime Ghost in the Shell e o filme Minority Report. Ela tenta mostrar que uma distopia pode ser criada ao se tentar chegar a uma utopia. Em um episódio, os trabalhos de Philip K. Dick (criador do conto “The Minority Report”) são citados como material de referência para entender melhor o mundo onde os personagens vivem. Também podemos ver características de um mundo idealizado por George Orwell onde o Big Brother (por favor, não confundir com o programa de TV) vigia cada passo do cidadão. Por tratar de temas complicados, não é um anime indicado para crianças. Gen Urubochi ainda utiliza imagens perturbadoras com bastante sangue e dilacerações. A dominator no modo eliminador letal faz membros e corpos explodirem com uma violência gráfica impressionante. Enfim, um anime cheio de violência com críticas aos sistemas políticos, natureza humana e aplicação das leis.

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Os personagens são excelentes. Makishima Shougo, Shinya Kogami e Joshu Kasei são personagens memoráveis. O único clichê fica exatamente com a protagonista Akane, mas o desenvolvimento dela ao longo da história é bastante interessante. A trilha sonora composta por Yugo Kanno é boa combinando bem com as emoções das cenas. A ambientação cyberpunk é excelente. A animação utiliza elementos de CG com um resultado muito bom. A direção obteve um trabalho brilhante com uma fotografia excelente e uma paleta de cores perfeita para o clima dark do anime. É difícil apontar qualquer defeito… na primeira temporada. Quando se fala na segunda temporada, as críticas aparecem. Gen Urobochi não participou da segunda temporada e isso foi um ponto fundamental. Tow Ubukata tomou as rédeas do anime e tentou manter o ambiente criado por Urobochi. Infelizmente, Ubukata decidiu copiar o enredo que já tinha feito sucesso e mostrou nada de interessante. Para piorar, introduziu Mika Shimotsuki, o personagem mais irritante da série que te faz querer abandonar a série a cada conversa que ela participa. A história ainda apresenta um problema sério de continuidade. Com exceção de Akane, os acontecimentos da primeira temporada parecem não ter surtido efeitos em nenhum personagem. A sensação é de que a segunda temporada de Psycho Pass acontece em um mundo paralelo.

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Veredito final: A primeira temporada de Psycho Pass é uma obra prima. Anime obrigatório para qualquer um que curta o tema. A segunda temporada vale a pena se você tiver com bastante tempo livre. Ele se encontra disponível no Netflix dos EUA. Existe esperança dele aparecer na Netflix brasileira.

Eu só trabalho aqui!