Episódico: Vamos falar de The Flash: The Man Who Saved Central City

Originalmente escrito por: John Lacerda

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Não muito diferente das outras colunas de resenhas e recapitulações do site, o Episódico é um lugar no qual a gente conversa sobre as séries que estamos assistindo; seja atual, antiga e não importa qual o episódio. Algumas séries provavelmente vão se tornar recorrentes, mas outras podem aparecer apenas uma vez, para discutir um episódio em especial que mexeu com a gente.

Antes de começarmos, fica o aviso: SPOILERS!

Por sorte eu resolvi poupa-los de trocadilhos com o quão rápido The Flash voltou ao ar depois do final da brilhante primeira temporada, então vamos ao que importa, a segunda temporada. ‘’The Man Who Saved Central City’’ começa com o que pode ser considerada uma das cenas mais paspalhas da série até agora, o que poderia passar por uma referência aos vilões unilineares da Era de Ouro dos quadrinhos, mas alguns minutos depois aquela cena com um Capitão Frio e Onda Térmica mais canastrões do que nunca se torna um dos momentos mais importantes do episódio ao mostrar o Flash e Nuclear como a dupla dinâmica que Central City merece.

Barry, Ronnie e Stein voltam para os Laboratórios S.T.A.R. para serem recebidos por toda a turma, Joe, Cisco, Caitlin, Iris… Eddie e Wells (?), e como uma metáfora mais do que direta Wells se levanta e diz que Barry aprendeu tudo o que precisava e que agora pode continuar sozinho, logo em seguida vemos Barry sozinho no laboratório, deixando claro que tudo não passava de uma fantasia de como poderia ser. Fica óbvio que algo muito ruim aconteceu para fazer com que Barry decidisse agir sozinho. De volta ao mundo real em uma cena de crime em uma fábrica de despejamento de material radioativo, a CCPD está investigando a morte de um operário que parece ter sido estrangulado por alguém muito forte e muito grande. Pelo tom e a falta de jeito de Joe, ele e Barry não parecem ter mantido muito contato além do necessário entre um detetive e um técnico de perícia. E como se se sentir responsável pela morte de um dos seus melhores amigos e ter afastados todos os seus amigos e família não fosse o suficiente, a cidade ainda está preparando um dia de comemorações para agradecer ao Flash por salvar Central City, comemoração essa que Barry não parece muito inclinado a ir, apesar de Joe tentar convencê-lo do contrário.

E pelo jeito os dias da prisão clandestina de metahumanos nos Laboratórios S.T.A.R. chegaram ao fim, de volta a delegacia descobrimos que o Capitão Singh criou uma força tarefa para combater metahumanos, lidera por Joe e com Cisco como consultor cientifico – alguém imaginou um episódio só com o Joe, Cisco e armas malucas contra metahumanos? Não, só eu? Ok–

Infelizmente não demora muito para todo aquele espírito de vitória e a sensação de estar no topo do mundo serem amaçados como uma bola de papel e arremessados em alguma lixeira na sala dos roteiristas da série. Um rápido flashback de volta ao final da primeira temporada mostra que Barry sozinho não era o suficiente para fechar o buraco negro, o Flash correndo era só uma parte solução, o resto dependia de Ronnie e do Professor Stein se separassem dentro da singularidade; o que por algum motivo resultou em Ronnie sumindo após a separação e Stein sendo salvo por Barry segundos antes de ter uma desagradável fusão com a calçada. Daí temos o plot principal do episódio, Barry tendo que lidar com o fato que o mundo pensa que o Flash salvou Central City sozinho, quando ele sabe que se não fosse pelo sacrifício de Ronnie o mundo inteiro teria sido engolido pelo buraco negro… criado porque Barry resolveu fazer um acordo com o Flash Reverso – mas é, ué –. E também o motivo pelo qual o Professor Stein está sozinho, ao menos no começo, em Legends of Tomorrow.

E é aqui que as coisas começam a ficar um pouco mais interessantes, como era de se esperar onde Joe falhou, Iris obteve sucesso e conseguiu convencer Barry a ir na cerimônia e aceitar a chave da cidade… o que resultou na armadilha perfeita para o Atom-Smasher tentar matar o Flash e o prefeito com uma carrocinha de cachorro-quente. E aqui está, amigos, a primeira aparição de uma pessoa vinda de uma realidade paralela, o primeiro sinal de que brincar com viagem no tempo e buracos negros ainda vai trazer mais repercussão do que Barry ou qualquer outra pessoa poderia imaginar (Supergirl, por favor?). No final onde a superarma de Cisco, carinhosamente apelidada de ‘’A Bota’’, falha, uma combinação entre Barry tacando botijões de gás e Joe atirando é o suficiente para ao menos espantar o Atom-Smasher. Ah, o Cisco teve outra visão de uma realidade paralela envolvendo o vilão, que por acaso acaba de revelando uma versão de outra realidade o operário morto mais cedo. Sentiram essa vibe? Não é dos meus trocadilhos horríveis, mas sim de cada vez mais heróis em Central City.

Outro momento muito importante do episódio envolvendo uma mensagem deixada por Wells acontece logo a seguir, talvez até mais importante do que o Atom-Smasher revendo que Zoom o mandou para matar o Flash, isso depois que Barry aceita que precisa seguir em frente e que vai precisar da ajuda dos seus amigos se quiser continuar protegendo Central City. Com direito a uma armadilha que Cisco bolou inspirado em uma revista em quadrinhos que leu, e essa referência óbvia aos quadrinhos do Batman talvez seja o melhor uso dos poderes do Cisco.

Lá para o final do episódio descobrimos que Wells deixou o Laboratório S.T.A.R. para Barry, mas se ele quiser manter o prédio precisa assistir uma mensagem como condição. Depois de relutar um pouco e com a ajuda de Caitlin, Barry decide assistir o vídeo no qual Wells admite com detalhes ter matado Nora Allen, a prova que Barry precisava para libertar seu pai após anos na prisão por um crime que não cometeu. Para o final do episódio tudo parece estar caminhando bem, o vilão foi derrotado, a gangue está de volta, Henry foi solto da prisão, o Flash tem um novo uniforme, e até a segurança os Laboratórios S.T.A.R. está melhor, até que um homem que vinha seguindo Barry desde o começo do episódio aparece nomeio do laboratório dizendo que o mundo está em perigo. E esse homem é ninguém menos do que Jay Garrick, o Flash original da Era de Ouro, o nosso querido Joel Ciclone em terras tupiniquins.

Comparado com ambos o primeiro e o último episódio da primeira temporada, ‘’The Man Who Saved Central City’’ poderia ter explorado melhor o seu vilão, a decisão de Barry de seguir em frente com a sua vida e deixar a culpa para trás pareceu tão casual e repentina quanto a forma como comentei no último parágrafo. Mas mesmo assim o episódio é um ótimo começo para segunda temporada, o mistério envolvendo Ronnie e a apresentação do elemento de universos paralelos são apresentados de uma forma satisfatória para tudo que precisou ser comprimido em 42 minutos. E por coincidência algo que costuma ser o ponto forte de Arrow foi o maior destaque desse episódio de Flash, os flashbacks, as mensagens póstumas de Wells e o sonho lúcido de Barry com uma versão dos acontecimentos na qual Ronnie tivesse sobrevivido. Apesar de ser óbvio que essa não foi a última vez que vimos Ronnie, parece óbvio que os mistérios do Nuclear vão afetar o resto dessa temporada de Flash e de Legends of Tomorrow.

Agora juntem-se a mim na ansiedade pelo próximo episódio, com DOIS FLASHS!

Eu só trabalho aqui!