Sala Resenhadora: Templários #1 – Uma pitada de mangá nacional.

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A Sala Resenhadora é uma coluna na qual os digníssimos membros deste site falam sobre algum quadrinho, graphic novel, mangá ou livro que lemos recentemente. Porém esse não é o seu review semanal costumeiro, a Sala funciona aleatoriamente: A cada semana vamos falar sobre um quadrinho, sem a menor pretensão de falar sobre a próxima edição na semana seguinte, o que não quer dizer que o Rafael não vá fazer vários reviews da mensal do Deadpool, já que é um marvete.

 

Longos dias e belas noites aventureiros! Hoje aqui na Outra Guilda teremos uma novidade e tanto, pois estarei resenhando o mangá de um autor nacional. Sim, isso mesmo que leram, muitos (ou poucos, nunca sei) de vocês provavelmente não tinham conhecimento que tem aqui no Brasil um movimento cada vez maior de mangakás brazucas, e quando eu conheci o autor do Templários (sim, estudamos juntos na faculdade e hoje integramos a Broken Joystick Interactive) foi uma imensa novidade pois eu em minha infinita ignorância imaginava que a produção de mangás se limitava apenas ao Japão. Yuji Katayama tem ascendência nipônica, porém é cidadão brasileiro e é sobre a sua obra de estréia que irei comentar hoje.

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Templários 1 foi lançado em dezembro de 2011 desenhado e roteirizado por Yuji Katayama. Neste primeiro volume, somos apresentados ao universo proposto pelo criador: a Europa do século XIV, durante as Cruzadas para reaver a Terra Santa do domínio muçulmano. Como o próprio título diz, a Ordem dos Cavaleiros Templários é o foco dessa narrativa. O primeiro capítulo vemos um cerco dos Templários à Jerusalém e ali somos apresentados ao protagonista Arthurius Sonnac, um jovem Cavaleiro Templário que está acompanhado de Kai, um outro cavaleiro que é seu superior. Arthurius, ou Arthur como é mais chamado, se mostra horrorizado com a batalha pois acabou de assassinar uma mulher e não imaginava que teriam civis no meio do cerco. Kai afirma que Deus perdoa o ato pois são árabes, em seguida parte para matar uma criança. Arthur então o impede e tenta dialogar, mas vendo que seu superior não iria se desfazer do pensamento o coloca pra dormir com um soco e deixa a criança escapar. Em seguida vemos Saladino, o líder sarraceno, batendo em retirada pois se dá conta que a cidade já caiu para os Templários. Na fuga, acaba cruzando com Arthur e pelo diálogo percebemos que não é o primeiro encontro deles e após um breve embate Saladino sai vencedor, decidindo poupar Arthur pois seu povo precisava dele. No QG da Ordem, Arthur obviamente é punido por atacar um superior e sentenciado a alguns dias na cadeia.

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A partir daí temos um breve flashback de Arthur com seu pai, que está saindo em uma missão para a ordem, e aí vemos o primeiro elemento fantástico na obra de Yuji Katayama: a Lux. Para fãs de shounen em geral, eu incluso, a Lux é a “energia especial” de guerreiros altamente habilidosos tal qual como o Cosmo é em Cavaleiros do Zodíaco e o Ki é em Dragonball, com algumas ressalvas. A Lux só pode ser usada em uma arma e sua força depende da convicção do personagem. Nas primeiras horas de cárcere dois homens misteriosos usando mantos com o símbolo da maçonaria dizem que precisam falar com Arhturius Sonnac. Esses personagens são baseados em pessoas reais, e lendo os créditos do mangá irão saber quem são, não vou dizer pra não estragar a surpresa. Após esse capítulo, seguem-se capítulos que se passam quatro anos antes da história, mostrando o relacionamento de Arthur com Oliver e Helena, outra personagem que é apresentada aqui, e o treinamento deles para se tornarem Templários. Alguns quadros apresentam também um pouco do passado de Saladino, mas deixando muita coisa em aberto para os próximos volumes.

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A história é bem simples e direta, não perdendo tempo com enrolações e nem enchendo de mistérios que só serão solucionados no futuro. Os personagens principais começam rasos, mas até o final desse volume já se percebe uma maior profundidade neles. O que mais me chama a atenção é o pai de Arthur, pois ele é o clássico mentor que vemos em várias outras histórias e se dedica bastante aos seus alunos. O traçado pode não agradar à primeira vista, mas por se tratar de um debut no mundo dos mangás é bem compreensível que na confecção dessa primeira parte da história Yuji estava desenvolvendo seu estilo próprio. Para os que estão procurando um novo mangá para ler e fica na dúvida, Templários é uma boa pedida. Tem influências japonesas mas sem perder o toque brasileiro em alguns diálogos, certamente é algo que valha a pena ficar na estante. Caso tenham interesse em adquirir esse ou os três volumes que já saíram até o momento do fechamento dessa matéria, vocês podem comprar diretamente pela página do Templários no facebook, no site do mangá (onde podem ler o volume 1 também) ou pelo e-mail yujibraga@gmail.com. Você também pode encontrar o próprio autor vendendo em eventos do Rio de Janeiro (por enquanto xD).

Game Designer aprendiz, baixista mediano e mago implacável. Amante de RPGs mas tem Metal Gear como série favorita. Busca dominar magias de controlar o tempo e zerar todos os jogos que comprou na Steam e na PSN.
  • yuji

    Ficou irada a Resenha Rafa, Valeu mesmo! 🙂

    • Rafael Henrique Ferreira

      De nada Yuji!