[Última Sessão] Star Wars: O Despertar da Força – It’s not a Trap

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Star Wars: O Despertar da Força

Me lembro quando tinha mais ou menos 10 anos, e numa tarde qualquer, me deparei com aquela caixa de VHS (sim, sou da época do VHS) com o título “Guerra nas Estrelas: Uma Nova Esperança”. Estava numa estante no quarto de uma tia e na mesma hora perguntei: “Tia, posso assistir esse filme?” … E foi esse o início da minha grande paixão por esse clássico que representa gerações.

A sensação que tive ao assistir “Uma Nova Esperança” pode ser compartilhada com todos os fãs que tiveram seu contato com o universo rico e impressionante de Star Wars. Muitos dos fãs queriam reviver essa sensação, ter novamente o prazer de ouvir aquele primeiro acorde da famosa música composta por John Williams e ver aquele logo na tela dos cinemas. 

A primeira tentativa de reviver esse clássico, infelizmente não foi tão bem aceita pela maioria dos fãs. Existem os que amam e os que odeiam. Eu, como fã, prefiro tirar os pontos positivos dela, mas admito que não trazia a mesma essência dos filmes dos anos de 77, 80 e 83.

Sendo assim, quando o retorno da franquia foi anunciado, após a venda dos direitos para a Disney, o mesmo receio permeou o pensamento dos fãs.

Star Wars: O Despertar da Força vem com a missão de suprir esses 10 anos de ausência, e por que não, pouco mais de 30 anos sem um filme que conquista-se os fãs dos anos 70 e os do final dos anos 2000. E ele cumpre o que prometeu com propriedade.

Com um pouco mais de 2 horas de duração, o roteiro, produção e direção de J.J Abrams, traz de volta a essência da franquia, sem precisar de apelação. Utilizando de uma mistura de efeitos práticos (filmagens em cenários reais) e computação, J.J faz com que tenhamos a sensação de que todo aquele imenso universo é real, palpável e absurdamente grande. A mistura da ação frenética, na maioria das vezes protagonizada pelas batalhas entre X-Wings e Tie Fighters, comédia na medida certa e a nostalgia de rever personagens tão queridos como Han Solo, Leia, Chewbacca (Chewie), R2D2, C3PO, Luke e porque não, o Almirante Ackbarr, é indescritível.

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(Rey (Daisy Ridley), Poe Dameron (Oscar Isaac) e Finn (John Boyega)

Mas o filme não se sustenta apenas pela nostalgia dos antigos personagens, ou das naves e cenários. Finn, Rey e Poe Dameron são igualmente incríveis. E fica claro que a intenção da Disney não é transformar o trio em substitutos de Han, Léia e Luke. Eles são mais do que isso. São personagens carismáticos, que nos cativam logo nos primeiro momentos do filme. Finn (John Boyega) é engraçado em vários momentos, mas não deixa de ter seus segredos e um passado que o seguira por muito tempo. Já Poe Dameron (Oscar Isaac), de início nos remete aos pilotos corajosos da Aliança Rebelde de “Uma Nova Esperança”, mas sua comparação com eles termina ai. Apesar dele ter sido pouco explorado nesse filme (talvez um dos pequenos defeitos justificáveis da trama) provavelmente terá importância e relevência ainda maior nas continuações.

1445323615-ff58e0f1297d1c0bb19389fc4d8f1cfb-1038x576Enquanto a Rey? Simplesmente GENIAL! A personagem interpretada por Daisy Ridley dá um show. Não se assuste caso você simpatize ou se identifique de cara com ela. É quase impossível evitar. Ou vai ver rolou um Jedi Mind Tricks e você nem percebeu. (risos)

Rey é tão ou mais forte e importante do que Padmé ou Leia eram. E mais interessante ainda é perceber que até mesmo uma franquia de quase 4 décadas percebeu a importância de ter uma personagem feminina ainda mais forte, representada nos filmes. Afinal, garotas também gostam de aventuras, e de fazer parte delas.

des0190_462d9660Mas e o vilão? Onde esta Kylo Ren nessa review? O que posso dizer é que ele esta sensacional. Adam Driver pode não ter cativado muito os fãs por conta da sua cara de “menino estranho” e o porte um tanto franzino. Mas não se engane, Kylo Ren é tão ou mais cruel do que você pode imaginar. Mas é sempre bom lembrar, apesar do que é mostrado nos trailers, Kylo não é um novo Darth Vader. Não o compare com o vilão mais amado de todos os tempos. Assim como não podemos, nem devemos, comparar nenhum dos demais personagens. Eles são únicos dentro de suas histórias e respectivas trilogias.

Um dos grandes trunfos de O Despertar da Força, é trazer a mesma fórmula, o mesmo carisma dos filmes da década de 70/80 mas sem “imitar” os personagens. E isso que faz dele o que ele é: Um filme grandioso que respeita os fãs mais antigos e com certeza vai cativar as novas gerações e mostrar para elas porque Star Wars é uma franquia tão amada e aclamada no mundo.

O filme tem seus pequenos problemas, pouco desenvolvimento de um ou outro personagem e inúmeras perguntas que ficam sem resposta. Mas tudo isso se justifica, é o primeiro filme de uma nova trilogia, e tem coisas ali que talvez nem precisem de explicação, ficam subentendidas, são auto explicativas. Outras porém, devem ter suas respostas nos próximos filmes. Outro ponto positivo do filme, é o fato dele não precisa parar sua dinâmica para explicar um acontecimento. Ela se explica dentro da ação ou da cena em questão.

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Em suma, Star Wars: O Despertar da Força, foi para mim, mais do que eu esperava (e olha que eu estava no Hype). Fez jus a cada lágrima, cada risada e cada arrepio que senti durante o filme. E tudo que posso dizer é: A Força REALMENTE Despertou e finalmente “Estamos em casa” !

Eu só trabalho aqui!